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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Não esquecer

Não esquecer é diferente de recordar.
O não esquecimento nos paralisa  e não nos permite seguir adiante.
Não esquecer é atualizar o passado a cada instante, não tornando possível criar um futuro que traga o novo.
É tentar descontar faturas antigas cujo prazo de validade está vencido e que nos subjuga ao passado impedindo um universo de possibilidades que podem ser criadas.
Não esquecer é não se permitir sonhar.
É  (re)viver em cada dia o passado que se perpetua como um fantasma que se recusa a partir.
É manter a alma capturada e o corpo fechado.
É transferir para o Outro o horror de nossa incapacidade de simplesmente recordar.
Não esquecer é (sobre)viver no tormento de nossas infinitas impossibilidades.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Eu realmente não sei te quero ainda...
Na verdade eu já não sei se terei forças para suportar as tuas ausências que se tornaram tão repetitivas que chegam a ser entediantes ....Viver esta relação exige de mim ser um pouco bandeirante e muito, mas muito garimpeira...  e eu esfolo as mãos, dilacero a alma, com o coração em frangalhos me deparo com um solo seco, árido, quase abandonado...
E me supreendo, sempre e cada vez, com tua estúpida mania de se esconder .
 O homem alegre, às vezes triste, menino que às vezes quer e, outras, não, ou talvez sim, quem sabe?
Meigo e doce sabe esperar até que eu venha e fique, antes de tudo,
o amigo que consola e afaga sem perguntas, porque sabe...
Olhos que me buscam e me acompanham mas que fogem dos meus....
por tuas dúvidas e certezas, por tua ausência que é tão marcante quanto a minha, pelo que tu és, pelo que sou e fui e como somos.
É tão fácil e tão difícil quanto eu... tão impossível como nós dois..
Isto é uma verdade, não inteira... assim vê: se tu me queres como eu te quero, te busques e me encontre e certamente vais entender o que eu quero te dizer.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O acontecimento

Se fez anunciar nas cores que surgiram num pequeno toque, num olhar silencioso...
Silencioso e secreto...
Seu brilho perturba, inquieta, prenche todos os vazios sem saturar, se dilata e se transforma...
Veio a princípio a cavalo, banhado pela Mãe, resplandecia sob o luar...
Foi o momento preparatório para a segunda fase, nem por isso menos belo, menos ardente... mas... fugidio..
Permanece, ainda, intangível no seu papel branco.
Em azul, com fulgores de prata, o Acontecimento..
"A virgem foi sacrificada no altar gnóstico.
Arrebator, despertando para o momento mágico.
Fascínio da Pedra, da Terra. Libertação de Abraxas..."

Fascínio II

Fascínio.. de repente todas as palavras mágicas conseguem realizar o milagre do encontro...nenhuma delas permanece sinônimo, passam a ser todas uma única verdade...
Provavelmente é o renascimento de uma outra dimensão há séculos esquecida que nos alcança lançando-nos numa nova realidade...
Passa-se a compreender o significado da existência, louva-se a Deus, a Mãe do Mundo, e com gratidão, entregamo-nos à maravilhosa felicidade de sentir e de viver.
Dimensão mágica, faz parte de nós.. estamos nela como um todo único e indivisível.
Estava traçado. Conseguimos.
O dançarino baila em nossos corações.
Radha despertou e nos sorri,
Um longo caminho nos espera...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Retorno II

Enquanto houver encanto em sonhar acordada, contigo, enquanto houver respeito por tudo aquilo que tu és, enquanto houver a certeza de que és meu, continuarei, continuarei te amando.....

Retorno

eu me pergunto se totalidade é aquela do instante repleto de silêncio, no minuto que se amplia no espaço, do momento que já passou mas que se perpetua na certeza de me saber mulher ... e tua.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Re-encontro

Deixar que o pensamento te traga a angústia, cair no desepero, sofrer, ser pedra, ir ao fundo do poço mais escuro de ti mesmo, mil vezes matar-se e morrer  e, finalmente, renascer livre para o re-encontro..

sem reflexos

...e quando é de tarde e faz sol eu me surpreendo não pensando em você. Não pensar em você é esquecer de mim, é estar dentro do eu mesmo, sem ecos e sem reflexos, solta de mim e de você, é estar presa no eu que quase foi você...

Fascínio

Gosto do seu jeito de ser, gosto de você, do que é e do que faz;
mas acima de tudo, gosto deste mundo mágico, à parte, que devagar, sem pressa, estamos construindo pra nós dois...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Louco amor

Eu te amo de um jeito louco,
mas coerente...
eu te amo com paixão,
mas também com muita doçura...
eu te amo de um jeito feliz,
mas um pouco triste...
assim, do meu jeito, eu te amo há muito,
mas não sei se para sempre...

ein verlorene Liebe

Onde estará a tua meiga presença? A vagar, talvez, no espaço infinito a observar a minha eterna angústia pela tua ausência...
Ou talvez, quem sabe? em um novo corpo, aqui, bem perto de mim..
Já conheceu, tenho certeza, a nossa estrela pequenina, e, lá estará a minha espera para o encontro que temos marcado e para onde um dia serei levada pela brisa, que hoje acaricia o meu corpo a pedido teu.

Apenas mais uma lembrança

Pronto. Como uma brisa leve e suave, passou. Você se tornou apenas mais uma das minhas lembranças.
Você, que era uma presença que eu teimava em não perder,  na verdade não queria o tempo todo. E isto foi bonito.
Mais bonito é lembrar que foi a nossa liberdade que nos manteve juntos.
Pois bem, vá até aonde sua necessidade de ir te exija.
Eu te esperei até onde te necessitei.
Eis aí, meu caro, o segredo da nossa inexigida fidelidade.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

aceitação

Desconheço o gostaria de ser, o sentir-se diferente, ansiando um não sei o que que não basta porque não é. Gosto desta abstração em que vivo, porque é nela que eu quase me encontro. Gosto dessa vontade de querer estar e de repente pedir para ir embora. Somos como os opostos que se unem, gerando um todo diferente, que nem a si pertence, porque sozinho é impotente. Eu fico presa porque eu quero e isto é de muita importância para continuarmos tu e eu, porque nós, há muito somos.....

elaboração de uma ausência

Solidão repleta de lembranças inacabadas... seguir em frente, deixando para trás pequenas partes de mim que já não me pertencem.
Retomar o vazio interno que nunca foi preenchido, cada vez mais forte e mais frágil, vestindo roupagens diferentes para não ser re-conhecida. Cerrar os dentes e calar,  não permitir que se perceba o abismo de mim mesma. Contigo elaborei todas as verdades e mentiras, príncipes e sapos, a menina e a mulher, encontrei a cura e não sarei. Hoje percebo que não há volta, quebrou-se o espelho, eu te entendi, passo ao largo e te deixo com teu enorme desaponto, e, se desconfio que ainda não chegou o teu momento, só posso torcer que eu esteja errada, porque, meu amor, eu já fui embora.

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